Aumento da cesta básica é duas vezes maior que alta da inflação

Por Diana Ribeiro

De acordo com o Dieese, itens da cesta básica comprometem mais de 45% do rendimento do trabalhador

Custo também não acompanha o reajuste do salário mínimo. Veja o aumento nas principais cidades

O valor da cesta básica aumentou nas 18 capitais em que o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) realiza, mensalmente, a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos. As cidades com maiores altas entre 2017 e 2018 foram Campo Grande (15,46%), Brasília (14,76%) e Belo Horizonte (13,03%).

Ainda acima dos 10% de aumento ficaram Curitiba (11,76%), Rio de Janeiro (11,47%) e São Paulo (11,09%). Já Recife e Natal tiverem a menor variação em relação ao ano anterior, com 2,53% e 3,09%, respectivamente.

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De acordo com os dados de dezembro de 2018, a capital com maior custo para compra da cesta básica é São Paulo, onde os itens básicos de alimentação não saem por menos de R$ 471,44. Em seguida aparecem Rio de Janeiro (R$ 466,75) e Porto Alegre (R$ 464,72).

Os menores valores foram observados em Recife (R$ 340,57), Natal (R$ 341,40) e Salvador (R$ 343,82).

Os destaques de alta ficaram com leite integral, tomate, pão francês, carne bovina de primeira, arroz agulhinha e batata. Esses alimentos apresentaram aumento do preço médio na maior parte das cidades pesquisadas, na comparação com dezembro de 2017.

O Dieese ainda levantou que em dezembro de 2018 o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometia cerca de 45,59% do seu salário líquido (após o desconto referente à Previdência Social e outros encargos) com os itens da cesta básica.

De modo geral, a cesta básica é composta por 13 alimentos: arroz, feijão, carne, leite, farinha, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga. No entanto, a quantidade de cada item pode variar de acordo com a região do Brasil.

Cesta básica x salário mínimo

O salário mínimo nacional foi reajustado pelo governo em 4,61% em 1º de janeiro de 2019, passando de R$ 954 para R$ 998. Considerando o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que subiu 3,43% em 2018, o ganho real do salário mínimo foi de 1,14% segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Apesar do ganho real frente ao INPC, o salário mínimo ficou aquém da alta no valor das cestas básicas. Mesmo em Recife (capital com menor variação da cesta), o aumento foi de 2,53% – mais do que o dobro em relação ao ganho real do mínimo nacional.

De acordo com a estimativa do Dieese, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas em dezembro de 2018 deveria ser de R$ 3.960,57 – o salário mínimo é um quarto desse valor.

A estimativa é feita mensalmente e o cálculo tem como base a cesta básica mais cara. Além disso, leva em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve suprir as despesas de um trabalhador e de sua família com alimentação, moradia, educação, transporte, higiene, saúde, vestuário, lazer e previdência.