Você pode se beneficiar do Minha Casa, Minha Vida para a classe média

Por Isabela Borrelli

Pedro Guimarães, presidente da Caixa, afirmou que os juros para a classe média seriam mais altos do que os oferecidos pelo programa Minha Casa, Minha Vida

No entanto, quem tem reda bruta de até R$ 9 mil também pode ser contemplado pelo programa nas faixas que abrangem um poder aquisitivo maior. Saiba como

Logo após tomar posse como novo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães afirmou que os juros para o financiamento imobiliário da classe média passariam a corresponder aos juros de mercado. A declaração feita em seu segundo dia à frente do banco público causou controvérsia. Guimarães voltou atrás e disse que sua fala foi distorcida, segundo o G1. Na retratação, ele frisou que a classe média pagaria juros mais altos do que os oferecidos pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que são subsidiados pelo Governo Federal e voltados para faixas mais baixas de renda.

mão oferecendo uma chave e uma casa

A confusão provocada pelo presidente da Caixa é comum. Quem tem renda bruta acima de R$ 9 mil não se enquadra no programa Minha Casa, Minha Vida. Para esse público, especificamente, o banco público cobra taxas de juros bastante semelhantes às oferecidas pelos concorrentes. Fora do MCMV, o juro da Caixa pode chegar a 12%, o que exige do consumidor uma pesquisa para encontrar condições mais favoráveis para o seu perfil.

Mas pouca gente se dá conta de que existem condições especiais de juros para quem ganha até R$ 9 mil dentro do programa. Ou seja, a classe média também pode se beneficiar do MCMV.

Minha Casa, Minha Vida para a classe média

A crise econômica afetou fortemente o mercado imobiliário, mas sinais de recuperação fortaleceram, em grande parte, o MCMV em 2018. Em novembro, o FGTS anunciou que aumentaria os subsídios em R$ 500 milhões, valor exclusivamente voltado para a faixa 2 do programa, formada por famílias com renda bruta de até R$ 4 mil por mês. As faixas com poder aquisitivo de renda maior têm mais oportunidades, pois há uma “brecha” na estrutura e a classe média também pode tirar proveito do programa.

“O programa tem uma relevância muito grande. A maior parte dos imóveis vendidos no ano passado foram do Minha Casa, Minha Vida. As classes média e alta começaram a sinalizar uma melhora a partir do segundo semestre, mas ainda não se destacaram”, afirma Ana Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE.

É inegável a importância do programa para o mercado imobiliário, mas atualmente ele enfrenta uma grande crise. A inadimplência é crescente. Segundo o jornal DCI, eram 129 mil moradores com pagamento atrasado em 2014. Até agosto de 2018, esse número cresceu para 351 mil. Devido à falta de recursos, a Caixa anunciou a suspensão das contratações do financiamento para a faixa 1,5, famílias com renda bruta mensal até de R$ 2.600. Guimarães, presidente da Caixa, justificou dizendo que os recursos do FGTS estão chegando ao fim e que é preciso achar outras formas de financiar o programa.

Para entender o Minha Casa, Minha Vida

Para conhecer um pouco mais sobre o Minha Casa, Minha Vida, é preciso entender como ele funciona. O programa tem o objetivo de oferecer condições atrativas para financiamento de moradias para famílias de baixa renda e, hoje em dia, está dividido em quatro faixas:

  • Faixa 1: focado em famílias com renda bruta até R$ 1,8 mil, financiamento de até 120 meses e prestações mensai que ficam entre R$ 80 e R$ 120. A garantia do empréstimo é o próprio imóvel.
  • Faixa 1,5: focado em famílias com renda bruta até R$ 2,6 mil, é possível adquirir um imóvel financiado com taxas de juros de apenas 5% ao ano, até 30 anos para pagar e subsídios de até R$ 47,5 mil.
  • Faixa 2: focado em famílias com renda bruta até R$ 4 mil, os subsídios podem chegar a R$ 29 mil e conta com juros entre 5,5% a 7% ao ano.
  • Faixa 3: focado em famílias com renda bruta até R$ 9 mil, os juros são de 8,16% até R$ 7 mil e passam a 9,16% para valores mais altos. Para esse perfil, há também o financiamento com recursos do FGTS com taxas abaixo do mercado.

Abrangendo núcleos familiares com rendas entre R$ 4 mil e R$ 9 mil, as faixas 2 e 3 estão ficando cada vez mais atrativas para a classe média. E não são só os interessados em comprar um imóvel próprio que olham o programa dessa forma. As construtoras também estão direcionando seus empreendimentos para focar nesse público.

“Houve um percentual grande de lançamentos [de imóveis] nas faixas 2 e 3 do programa, porque são faixas que têm o financiamento da Caixa Econômica com recurso do FGTS. Isso realmente acabou levando a um crescimento dos imóveis nesse segmento. Por ter o recurso disponível, fica mais fácil para as famílias de classe média obterem um imóvel”, afirma Castelo.

Como aplicar para o programa

Além de ter uma renda mensal bruta de até R$ 9 mil, é preciso ainda seguir algumas regrinhas. Elas são:

  • Não estar cadastrado no Sistema Integrado de Administração de Carteiras Imobiliárias (Siaci) e/ou no Cadastro Nacional de Mutuários (Cadmut), exceção para as operações de aquisição de material de construção;
  • Não ser proprietário, cessionário, promitente comprador, usufrutuário de imóvel residencial;
  • Não ser ou ter sido arrendatário ou detentor de financiamento de imóvel residencial em qualquer local do País;
  • Não ter recebido benefícios de natureza habitacional oriundos de recursos orçamentários da União.

Se você se encaixa no perfil, basta se cadastrar no programa para ter acesso aos recursos. Para isso, se a sua família tem uma renda menor que R$ 1,8 mil, é preciso se inscrever na prefeitura da cidade ou em uma entidade organizadora. Já para as famílias de até R$ 9 mil, é possível se cadastrar em uma entidade organizadora ou fazer a contratação de forma individual.

Para quem vai cuidar de fazer a própria inscrição no programa, há a opção de fazer uma simulação online. Nela, é possível saber quanto você precisará investir. Depois, é só entregar a documentação (RG, CPF, comprovante de renda, comprovante de endereço, Carteira de Trabalho e Certidão de Nascimento ou Casamento) em um correspondente Caixa Aqui ou na agência da Caixa mais próxima. Também é possível ir direto na agência da Caixa, que vai receber a sua documentação e indicar qual é a melhor faixa do MCMV para o seu perfil, além de informar as opções de financiamento.

A Caixa avaliará seu cadastro e as famílias selecionadas serão comunicadas sobre a data do sorteio dos imóveis, assim como a assinatura do contrato de compra.

Financiamento de imóvel: onde vale a pena?

Segundo Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, não existe uma resposta certa, porque depende de qual é o seu banco. “Faz um tempo que o financiamento imobiliário é muito parecido em todos os bancos”, diz ele.

O levantamento feito pelo G1 em relação às taxas de financiamento imobiliário cobradas pelas cinco principais instituições financeiras ratifica a opinião do economista do Secovi: a variação não passa de 0,5 ponto percentual. Confira:

BancoSistema Financeiro Habitacional (SFH)Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI) – carta de créditoPró-cotista FGTSLimite do financiamento
Caixaa partir de 8,75% ao ano + TRa partir de 8,75% ao ano + TR para imóveis até R$ 1,5 milhão e de 9,5% ao ano + TR para imóveis acima de R$ 1,5 milhãoentre 8,76% e 9,01%ao ano + TRaté 80% do valor para imóveis novos e 70% do valor para usados
Banco do Brasila partir de 8,49% ao ano + TRnão opera (oferece juros a partir de 8,85% ao ano + TR na Carta Hipotecária)9% ao ano + TR (disponível para imóveis novos e usados)até 80% do valor do imóvel novo ou usado
Itaú Unibancoa partir de 8,3% ao ano + TRa partir de 8,3% ao ano + TRnão operaaté 82% do valor do imóvel (tanto para novos como usados)
Bradescoa partir de 8,85% ao ano + TRa partir de 8,85% ao ano + TRnão operaaté 80% do valor do imóvel novo ou usado
Santandera partir de 8,99% ao ano + TRa partir de 9,49% ao ano + TRa partir de 8,49% +TR (limitado a imóveis de construção financiada pelo banco)Até 80% do valor do imóvel (tanto para novos como usados), podendo incluir mais 5% para despesas como ITBI e registro

Como escolher?

O economista do Secovi afirma que geralmente o melhor negócio será fazer o financiamento no banco onde o usuário já é cliente. Nesse caso, há uma chance alta de conseguir um valor de juros menor, em razão do relacionamento e do histórico ao qual a instituição financeira tem acesso. Mas isso não significa que não é necessário pesquisar e comparar os juros de todos os bancos.

“Nunca deixe de comparar a taxa de financiamento com outros bancos até para que seja possível negociar com o seu próprio banco”, afirma Petrucci, do Secovi.